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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A casa da próxima década - AD FORÚM Ricardo Botelho

Texto retirado do site IG , por Juliana Bianchi









O bom momento da economia e as mudanças no cotidiano do brasileiro são os principais
fatores que influenciarão na forma de morar nos próximos anos.
Com a necessidade básica de moradia atendida, muitas vezes facilitadas
por planos de financiamento promovidos pelo governo como o
Minha Casa Minha Vida, as classes C e B começam a buscar produtos de maior valor
agregado.
"Com a economia estável e a segurança de emprego, as pessoas se sentem mais
à vontade para contrair dívidas e melhorar seu padrão de moradia", afirma Romero Busarello,
diretor de marketing da Tecnisa.

É essa segurança e aposta no futuro que tem, segundo Busarello, jogado o preço dos imóveis
a patamares irracionais.
"É a cultura do 'dane-se', 'eu posso me dar'." Movimento que ganha ainda mais força
nas classes A e B, nas quais a casa própria já deixou de ser o grande sonho de consumo
e o imóvel novo é visto como oportunidade de investimento ou elemento agregador
de status e qualidade de vida.

"A partir do momento que as pessoas passaram a ficar mais em casa e reunir os amigos ali,
esse espaço passou a ser um elemento de valorização social, de demarcação de estilo de vida",
afirmou Maria Aparecida Toledo, sócia-diretora de planejamento da Toledo Associados
Pesquisa de Mercado.

É de olho nessas novas necessidades que as construtoras começam a antever mudanças
nas plantas residenciais. "Se o carro da classe média é um Tucson (da Hyundai),
não podemos continuar a projetar vagas de garagem para carros de médio porte",
diz Busarello. "Se a internet sem fio e o lap top possibilitaram ter mobilidade na
hora de trabalhar, para que reservar um espaço só para isso em casa?",
completa o executivo, decretando o fim dos home-offices como áreas delimitadas.

Outra área conhecida, que tende a desaparecer aos pouco das plantas é a sala de jantar.
Símbolo de status, ritualização da refeição e hierarquia familiar, com suas mesas
imponentes com lugares marcados, elas perdem significado numa sociedade que
valoriza a confraternização ao redor do fogão e a informalidade à mesa. "
A área antes reservada à sala de jantar deve se incorporar à cozinha criando
grandes espaços gourmet", explica Maria Aparecida.

Com isso, surge outra tendência, a da criação de duas sacadas principais:
uma voltada aos festins em torno da churrasqueira, do forno de pizza e do fogão -
fazendo as vezes de quintal - e outra dedicada ao estar, onde a vista e o conforto
são primordiais. "As mulheres não querem ver seus sofás sujos com mãos de carvão
ou gordura. Separar essas duas áreas é fundamental para evitar futuros desentendimentos
entre o casal", completa a pesquisadora.

Pelo mesmo motivo prático deve se fortalecer também a criação de dois banheiros
na suíte do casal: um para ele e outro para ela. Sendo um deles maior e mais cuidado,
com banheira, ofurô, sauna e outros pequenos luxos que dão novo significado
à hora do banho.

Isso sem falar das plantas abertas e das inúmeras possibilidades de personalização
do imóvel, facilidades praticamente obrigatórias daqui em diante.

Vivenciando um raro momento de segurança financeira e prosperidade, o brasileiro
passou a valorizar o conforto e o prazer estético em casa. Isso estimulado, ainda mais,
pelo surgimento de programas televisivos como "Lar Doce Lar", de Luciano Huck,
e "Sonhar Mais um Sonho", de Gugu Liberato, que fazem reformas completas
e apresentam soluções criativas para a casa dos telespectadores contemplados.

"Nos últimos anos houve uma verticalização do design e da decoração.
Hoje, eles estão, de certa forma, mais acessíveis a todas as classes sociais",
afirma Maria Aparecida. "As pessoas passaram a decorar mais do que mobiliar.
Tanto que, em apartamentos de até R$ 100 mil, é comum encontrar pelo menos
um ambiente decorado ou planejado", completa.

Mas isso também poderá mudar, segundo especialistas da empresa de pesquisa
e tendências WGSM. De acordo com as últimas análises apresentadas no
Brasil em junho, a próxima década reserva uma "verdadeira revolução nos lares",
com a redução do número de móveis para dar espaço a peças multifuncionais,
a valorização das áreas livres e o aumento no número de produtos ligados à internet,
sem necessidade de fios ou controles remotos.

Na decoração, peças absurdas e surreais estarão constantemente combinadas a clássicos,
trazendo um toque de divertimento aos ambientes. Formas arredondadas,
tecidos que valorizam o movimento, efeitos ópticos e materiais nobres que
imitarão outros de menor valor - o chamado real falsificado, como couro que
parece plástico ou fibras naturais que lembram algodão - também estarão em alta.

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